"Ó Mãe de Deus, fonte da misericórdia,
torna-nos dignos de tua compaixão;
volve o teu olhar para nós, o teu povo pecador;
mostra-nos, como sempre, o teu poder.
Depositando em ti a nossa esperança, nós te aclamamos:
Salve! como outrora Gabriel, o príncipe dos Anjos."
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Inscrições (em grego)

Um dos problemas que a têmpera tem é que não pega em fundo de ouro. A tinta dispersa. Então eu usei tinta acrílica vermelha para fazer as linhas e as inscrições. Para quem não quiser usar tinta sintética, existem outros modos para se pintar sobre o ouro, que veremos em outra ocasião.


A linha da auréola foi feita com o "tira linhas" do compasso. O centro foi no meio do "funil" do nariz entre os olhos e, com muito cuidado foi tracejado o círculo da auréola. As linhas da cruz da mesma auréola foi feita com régua, tracejando com uma ponta seca arredondada e depois coberta, com um pincel redondo número 7, da mesma tinta vermelha. E, com o mesmo pincel e tinta, foi traçado a linha de contorno.

Quanto as inscrições em grego, foi utilizado um pedaço de folha de papel manteiga e desenhado o nome do ser representado IC XC: Jesus Cristo escrito de forma abreviada e o trigrama O WN ("O Ente; Aquele que É") na cruz da auréola e, depois, transferido para o ícone como no decalque.


Com a mesma tinta vermelha, foi traçada uma linha mais grossa (aproximadamente de 1 cm) margeando todo o ícone.

Para ver no tamanho real, clique sobre a imagem ...

Terminado de esrever o ícone, deve-se lembrar que o primeiro a rezar sobre ele deve ser o próprio iconógrafo que o escreveu, pedindo com humildade que seja perdoado os seus pecados e lembrando a intenção principal da sua oração.
"Veneramos a tua puríssima imagem, ó Bom, pedindo perdão de nossas culpas, ó Cristo Deus. Com efeito, benignamentete dignaste subir voluntariamente com o teu corpo à cruz para livrar da escravidão do inimigo os que tu plasmaste. Portanto, nós com reconhecimento a ti bradamos:
'Encheste de alegria o universo, ó nosso Salvador, que vieste salvar o mundo'".

(Apolitikion da festa de 16 de agosto)


Próxima Etapa:
Detalhe da Virgem de Vladimir

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Últimas Luzes

Nesta última etapa de clareamento do rosto, deverá aplicar sobre alguns pontos uma mistura da última tinta usada para clarear acrescida com o Branco de Titânio. Esses pontos deverão obedecer o modelo que está se estudando.

Depois que a tinta estiver bem seca, com um pincél número zero, faça algumas linhas com essa mesma cor acrescida com mais um pouco de branco (como no modelo).
E, para finalizar, use linhas de Branco de Titânio puro, principalmente nos olhos.

Aquela mesma mistura de cor usada para a grafia pode ser reutilizada, agora com mais Preto de Marfim, para as linhas dos olhos, sobrancelhas, barba e bigode. O Preto de Marfim puro é usado, somente, nas pupilas dos olhos.
No cabelo acrescente uma pequena quantidade de Ocre para iluminar, sempre seguindo o nosso modelo.

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Próxima Etapa:
Inscrições (em grego)

Próxima Atualização:
24 de novembro '09

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Grafia


Depois das luzes acrescidas à pele segue agora a grafia, que são as linhas do desenho. Para esse detalhe deveremos ter uma mão muito firme e treinar em um papel à parte como fazê-lo.

Para a grafia da pele podemos usar:

Vermelho de Cádmio 40%
Preto de Marfim 60%

No caso do manto e da túnica pode ser usada a cor de base acrescida do mesmo Preto de Marfim.

Caso tenha perdido a linha do desenho durante as etapas anteriores, pode ser redesenhado em um papel vegetal ou manteiga e, depois, em cima da pintura seca fazer a transferência com uma ponta seca, mas com o cuidado necessário para não sair do lugar.

Próxima Etapa:
Últimas Luzes

Próxima Atualização:
20 de novembro '09

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Demais aclariações

Para a primeira luz, como vimos anteriormente, acrescentamos na cor de base (proplasmós) do rosto o Amarelo de Marte ou o Ocre e para o manto e túnica só o Branco de Titânio. Para essa segunda iluminação do rosto, pode-se colocar um pouco mais da cor de aclariação (Amarelo de Marte ou Ocre) e ir equilibrando as passagens de cor.

Nessas passagens é necessário que o proplasmós apareça, pois dele é que surgirá os tons escuros da pele (sombra) e a primeira luz e as demais também deverão aparecer, ou seja, para cada camada de cor deverá mostrar uma parte.

Na figura abaixo foi colocada algumas iluminações no rosto, partindo do Ocre.


Essas aclariações, vale a pena lembrar, foram baseadas no modelo e que deve estar sempre do lado, pois é nele que o iconógrafo se guiará.

Na figura abaixo a atenção se volta ao manto que foi iluminado com o Branco de Titânio, acrescido à sua cor de base.



Ainda precisa fazer uma última alcariação na pele e, nesta, deverá acrescentar ao Ocre uma pequena quantidade de Branco de Titânio. Na túnica e no manto mais Branco de Titânio deverá ser acrescentado para a próxima etapa.
"Tu me chamastes, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espalhaste tua fragrância e, respirando-a suspirei por ti.
Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz."
(Sto. Agostinho)

Próxima Etapa:
Grafia

Próxima Atualização:
13 de novembro '09

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Primeira Luz

O que precede as cores de base numa inscrição de ícone são as primeiras aclariações ou primeiras luzes. Essas "luzes" são tons mais claros da cor de base que serão aplicadas em camadas finas por cima, formando uma espécie de mancha clara dando um primeiro formato do que será clareado até o final da pintura.

A técnica e a teologia do ícone se apoiam mutamente. Da obscuridade emerge a luz, as trevas desaparecem porque Deus se encarna iluminando o mundo.

Como forma de estudo pode-se usar um papel e lápis de cor (figura abaixo).



Neste estudo foi feito delimitações da primeira aclariação no rosto e que deverão ser aplicadas somente na primeira camada de luz.
A luz do rosto é acrescida somente o Amarelo de Marte ou Ocre na cor do "proplasmós" e em pouca quantidade. Por isso deve ter separada a cor base de cada parte: rosto, cabelo e vestes, ou ter em mente a dosagem de cada parte para ser refeita.
Na figura abaixo foi acrescido o Branco de Titânio nas cores estabelecidas para a túnica e o manto. Ainda não foi adicionado nenhuma cor no cabelo.
Observe que o "proplasmós" permanecerá ao fundo como uma espécie de sombra natural. Os ícones evitam as técnicas artísticas destinadas a criar uma ilusão de espaço tridimensional. A luz do ícone nunca se explica por uma única fonte de luz; a luz é tão interior à imagem como exterior a ela e ilumina a quem se põe diante do ícone.
No recolhimento e no silêncio,
nossos olhos se abrem e somos naturalmente conduzidos
pela força do Espírito à luz do ícone,
a fim de contemplar não só a face de Jesus,
mas também a luz da verdade divina.

Próxima Etapa:
Demais aclariações

Próxima Atualização:
10 de novembro '09

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Proplasmós (προπλασμός)

Este termo em grego (προπλασμός) é utilizado na iconografia para indicar o início da pintura, propriamente dita, são as cores bases (en.: background, gr.: βασικού χρώματος) que ficarão ao fundo. Serão essas cores que formarão, no decorrer da pintura, os tons de sombra no ícone.

O termo proplasmós (gr.: προ: “antes”; πλασμα: “criatura”) já sugere um sentido espiritual para a pintura, pois é partindo dessas cores que surgem a iluminação gradativa, como veremos a seguir.


Para o ROSTO foi aplicada uma mistura de
Amarelo de Marte 80%
Terra Sombra Natural 15%
Vermelho de Cádmio 5%

No CABELO,
Terra Sombra Natural 60%
Vermelho de Cádmio 40%

Na TÚNICA,
Vermelho de Marte 60%
Amarelo de Cádmio 30%
Terra Sombra Natural 10%

No MANTO,
Azul Ultramar 70%
Verde de Cromo 10%
Preto Marfim 20%

As linhas que ficam à mostra são aquelas da grafia do desenho quando se decalcou. Como foi utilizado um pigmento de cor escura, essa cor ficará por um tempo aparecendo ao fundo da pintura, mas com as outras demãos de cores, observaremos que será necessário reforçar essa grafia para não desaparecer.
Próxima Etapa:
Primeira Luz

Próxima Atualização:
06 de novembro '09

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A douração


Nesta etapa de preparação que antecede a pintura do ícone, utiliza-se duas, das três formas de douração: com VERNIZ MORDENTE e com BOL DE ARMÊNIA.

Observe que o bol utilizado foi o vermelho e já preparado da APA Ferrario (Itália) e aplicado com camadas leves somente nas extremidades que formam o nimbo. Esse espaço será colocado o ouro e, posteriormente, brunido.

O fundo, a cruz e as margens do ícone serão douradas com o verniz mordente, da seguinte forma:


Com um pincel limpo e macio passar diretamente o verniz mordente, pelo menos duas demãos, no levkas e deixar secar e ficar no estado de aderência.
"Aplicar a folha de ouro, pressioná-la com um pedaço de algodão absorvente e continuar a aplicação, assegurando-se sempre de fazer coincidir cada extremidade" (Manual do Artista, Ralph Mayer).


Colocação das folhas de prata ao fundo do ícone com o mesmo método de douração com verniz mordente.


Depois da secagem total do bol de armênia, segue a aplicação da folha de ouro.

É necessário umedecer uma área do bol um pouco maior que a peça do ouro, usando um pincel macio. Com outro pincel seco pega a folha de ouro e aplica sobre o bol umedecido. O ouro será atraído a superfície como se fosse um imã, depois deve ser pressionado para baixo (não esfregado) com um chumaço de algodão absorvente.

Não é necessário se prender a imperfeições, pois poderá ser corrigida as falhas da mesma forma posteriormente.
Polimento (brunimento)
O acabamento brilhante como o de um espelho pode ser produzido esfregando um BRUNIDOR DE ÁGATA assim que estiver seca. Se houver qualquer humidade no bol, o brunidor irá rasgar a douração em vez de poli-la.


"O ouro só pode ser brunido sobre o gesso ou bol de Armênia. Na verdade é a superfície que é polida; o ouro não faz mais do que adaptar-se à textura da superfície" (Idem, Ralph Mayer).



Próxima Etapa:
Poplasmos (προπλασμός)

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30 de outubro '09

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O decalque

Nesse passo para a confecção do ícone sugerimos que o iconógrafo já possua uma tábua preparada (conforme os passos indicados na página inicial: A TÉCNICA) e, tenha em mãos o desenho impresso.

O decalque é feito passando o pigmento seco por trás da folha desenhada. Eu usei o pigmento de Terra Sombra Queimada.

Fixa-se a folha na tábua, previamente preparada com levkas, com o auxílio de uma fita crepe.
Com uma ponta seca faz-se os traços principais do desenho com um devido cuidado para evitar manchas e borrões.

Observe se todas as linhas estão sendo cobertas, levantando um pouco a folha. Para este modelo, é necessário decalcar as linhas da margem e da auréola.

Terminada essa etapa, seguiremos com a douração.

Para qualquer dúvida, esclarecimento desses tópicos, comentários ou sugestões, deixo-me inteiramente ao dispor utilizando o formulário de contato.
Próxima Etapa:
A douração

Próxima Atualização:
23 de outubro '09

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O desenho

Para ver no tamanho real, clique sobre a imagem ...

Este desenho poderá ser impresso em uma folha de tamanho A4 e, posteriormente, ampliá-lo ao tamanho desenhado.

Próxima Etapa:
O decalque

Próxima Atualização:
16 de outubro '09

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cristo Salvador (Escola de Moscou)


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Este ícone é do séc. XVII e o seu tamanho original é de 27.6 x 21.4cm. Nós escolhemos interpretá-lo em um formato maior, de 40 x 30 cm (dimensões externas) e uma margem de 3 cm.

Próxima Etapa:
O desenho


Próxima Atualização:
09 de outubro '09